segunda-feira, 22 de setembro de 2008

quarta-feira, 17 de setembro de 2008


De tanto puxarem o meu tapete,
De tanto ter a sensação de que o chão sumia sob meus pés,
é que eu aprendi a voar...


Luciano Martini

"Quando tudo tem uma resposta é porque é falso. O mistério é a verdade".

Sean Penn

segunda-feira, 15 de setembro de 2008



Há sempre um velho balanço de pracinha, esquecido na memória da gente...


Luciano Martini

Em meu olhar
guardo flores desta primavera
para quando o outono chegar
¨¨
Luciano Martini

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O ocaso sepulta o brilho no horizonte,
mas no fundo de minha alma,
meus íntimos vivem...


Luciano Martini
"A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar."
Rubem Alves

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

O velho e o menino


O velho conduzia carinhosamente o menino até a beira daquele mar de um azul profundo, que parecia encerrar o horizonte em sua imensidão. Em suas águas, a maré desenhava uma explosão de cores emanando um brilho prateado, que de tão intenso ofuscava o olhar. A maresia espalhava sua fragância, convidando aventureiros a descobrirem seus segredos; piratas de sonhos em navios de poesia.
A brancura daquela areia fazia lembrar a neve inascessível de montes rochosos, porém ao invés de calafrios, oferecia conforto em afagos de sensações mornas, como abraços aconchegantes que cobriam seus pés.
O menino com a pele morena, revelando sua familiaridade com o astro-rei, possuía uma cabeleira de cachos dourados, como o trigo em época de seara. Ele olhava encantado aquele cenário celeste, encenando em seus lábios inocentes um breve sorriso em resposta a tamanha dádiva da natureza.
Soltando um breve suspiro, balbuciou:
- Um dia eu vou surfar estas ondas!

O velho, de cãs simpáticas e olhos marcados pelo tempo, com a sabedoria de quem já experimentou o sabor da vida , vislumbrou a força daquele momento, e com um ar de condolência e gravidade, setenciou:
- Filho, você é muito jovem para entender, mas acredite neste velho marinheiro !
E com os olhos marejados, completou:

- A vida não pode ser adiada...

¨¨
Luciano Martini

quinta-feira, 4 de setembro de 2008


"É a esperança que nos salva;
mas na esperança os olhos não vêem..."
(Rm 8,24)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Os meus sonhos o vento não pode levar
A esperança encontrei no teu olhar


( O Tempo, Oficina G3, vale a pena ouvir)

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Eu sou assim


Hoje eu sou um reflexo do que tentei ser
resultado daquilo que não consegui
sou mosaico de estórias
menino que se perdeu no parque

sou sempre busca
sou sempre sonho
um poeta que habita em mim
mas, naquele parque
quase sem querer...

... encontrei um jardim.

Luciano Martini

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

As Flores


As flores não precisam ser entendidas para serem apreciadas.
Se formos estudá-las teríamos que arrancar suas pétalas, raspar seu caule, esmagá-las para serem vistas num microscópio... e assim quebraríamos o seu encanto.
As flores são belas por serem livres.
Belas... simplemente belas.
Existem coisas que precisam ser entendidas, mas existem "outras" coisas que existem só para serem admiradas.
O problema de se estudar muito as flores é que começamos a nos esquecer de desfrutar do seu perfume...


Luciano Martini

sábado, 23 de agosto de 2008

Tua Varanda

Voa com as asas de meus olhos
e partilha da minha constelação
nesta metamorfose de cores.
Que surpresa trará a brisa que passa
entre suas fragâncias e melodia?
Captura a luz deste ocaso
e pinta de púrpura o teu caminho
Faz com que as orquídeas
combinem com o teu sorriso
e subsista em ti esta doce ternura
este anoitecer mágico
na varanda que espreita
esta sombra viajante
que deixa marcas
em forma de pegadas...

Luciano Martini

Epifania


Afagas o mundo todo
com os teus abraços
e encerras em teus lábios
o segredo da minha existência
Teus olhos acalmam os mares
e impedem tremores de terra
Nas tuas mãos escondes maravilhas
que povoam nossos sonhos
e todos os dias renascem novas histórias
O teu peito é a minha cama,
porque me embala e me eleva
sempre que a respiração acelera
Os teus dedos são voláteis,
descobrem tesouros escondidos
e põem-me flores no caminho
mesmo depois da Primavera
Eu durmo de espírito limpo,
aos pés da tua cama,
todas as noites perto do Paraíso.


Luciano Martini

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O Pássaro Encantado

Era uma vez uma menina que tinha como seu melhor amigo um pássaro encantado. Ele era encantado por duas razões. Primeiro, porque ele não vivia em gaiolas,vivia solto, vinha quando queria. Vinha porque a amava. Segundo, porque sempre que voltava suas penas tinham cores diferentes, as cores dos lugares por onde tinha voado. Certa vez voltou com penas imaculadamente brancas, e ele contou estórias de montanhas cobertas de neve. Outra vez suas penas estavam vermelhas, e ele contou estórias de desertos incendiados pelo sol. Era grande a felicidade quando eles estavam juntos. Mas sempre chegava o momento quando o pássaro dizia:"Tenho de partir." A menina chorava e implorava:"Por favor, não vá. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar..." "Eu também terei saudades", dizia o pássaro,"Eu também vou chorar". Mas vou lhe contar um segredo! Eu só sou encantado por causa da saudade. É a tristeza da saudade que faz com que minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. E eu deixarei de ser o pássaro encantado. E você... deixará de me amar. "E partiu... A menina, sozinha, chorava. E foi numa noite de saudade que ela teve uma idéia:"Se o pássaro não puder partir, ele ficará. Se ele ficar, seremos felizes para sempre. E para ele não partir basta que eu o prenda numa gaiola." Assim aconteceu: a menina comprou uma gaiola de prata, a mais linda. Quando o pássaro voltou eles se abraçaram, ele contou estórias e adormeceu. A menina, aproveitando-se do seu sono, o engaiolou. Quando o pássaro acordou, deu um grito de dor. "Ah! menina, o que você fez? Quebrou-se o encanto. Minhas penas ficarão feia se eu me esquecerei das estórias. Sem a saudade o amor irá embora." A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por acostumar. Mas não foi isso que aconteceu. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se em um cinzento triste. E veio o silêncio. Deixou de cantar. Também a menina se entristeceu. Não era aquele o pássaro que ela amava. E de noite chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu pássaro... Até que não mais agüentou. Abriu a porta da gaiola. "Pode ir, pássaro", ela disse:"Volte quando você quiser...""Obrigado, menina", disse o pássaro,Irei e voltarei quando ficar encantado de novo. E você sabe: Ficarei encantado de novo quando a saudade voltar dentro de mim...
E dentro de você...
Rubem Alves