quarta-feira, 12 de maio de 2010

Estúpida Insistência


Ainda quero mostrar a fotografia do viés de antes: imagens ocas e em preto e branco. Gesso espesso moldando tudo em mim. Mosaicos em forma de asas, pássaros, anjos. Uma espécie de jardim secreto. Não sei como interpretar estes mapas, por quais descaminhos me perder. E nem sei bem a hora de partida, de simplesmente deixar ir. Mas narro esse estreito laço que une cores com novos tons. Vou continuar desenhando dentro de mim, vou variar as formas, as asperezas. Vou varar noites procurando. E flutuar nos dias de mares amarelos, de marés constantes, de cheias e memórias que revelam céus e ocasos de lápis de cor.



Luciano Martini

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O Homem- Invisível


O Homem-Invisível acordou naquela manhã, igual a tantas outras, e foi tomar o café da manhã na cafeteria que ficava em frente de sua casa sem ser notado, como acontecia invariavelmente todos os dias vespertinos.
Saiu pelas ruas movimentadas do centro da cidade sem ser visto, como ocorria desde sua infância, antes mesmo dele descobrir sua invisibilidade.
Subiu no elevador lotado, sem ser cumprimentado por ninguém, da mesma maneira que ele já estava acostumado.
Chegada a hora do almoço, comprou um sanduíche e foi devorá-lo num banco de praça tão familiar quanto solitário.
Pobre Homem- Invisível!
Foi embora e nem percebeu que os passarinhos, naquela tarde, cantavam para ele...



Luciano Martini

quarta-feira, 7 de abril de 2010

As paredes eram verdes


Era uma vez um homem que viveu a vida toda sem atinar que era o Super-Homem. Quando se deu conta e saltou da cadeira de rodas, espatifou-se no chão e entendeu que tinha acabado num asilo de kriptonita.



Paulo Brabo

sábado, 3 de abril de 2010

Por trás do horizonte


Desejando entender-me
Abro uma janela
Vislumbro cada segundo único.
O momento que passou
e acabou.

Olho a linha do horizonte
e vejo além.

O além nada
que se reflete em mim
e sou eu.


Luciano Martini

sexta-feira, 26 de março de 2010

Tormenta Interna


Tocadas pelo vento
sombras vagueiam indóceis
pelos vértices da alma.

Tormentas salgam a face do silêncio
estrangulam-se entre o desespero
e a angústia

Arde o pensamento em convulsão
misturam-se às idéias
arrebatam-se os anseios

já não há calmaria...

Não existem mais estilhaços
atrás das couraças
nem no fundo do mar

O vento soprou do exílio
as palavras abandonadas.



Luciano Martini

quinta-feira, 25 de março de 2010

Brumas e Quintais


Ando perdido nas grades
de um tempo sem auroras

Como se fosse uma fria e cortante campina
o tempo se mistura aos grãos
de areia do meu pensamento

Dissociados da realidade, os quintais
por onde viajo são ricos em aromas e impressões
pássaros imensos sobrevoam
meu discurso apagado e levam
com eles os versos que um dia escrevi



Luciano Martini

sábado, 20 de março de 2010

Saudades do Outono 2


O Outono preserva nas suas folhas a memória dos dias quentes de Verão e anuncia em sua neblina o prenúncio de um frio Inverno.
O limiar de duas Estações extremas…
O equilíbrio que desperta os Sentidos. Cumplicidades secretamente sussurradas no leve cair das folhas.

No Outono se vivenciam mil segredos… no Olhar se revelam seus enredos.


Luciano Martini

sexta-feira, 19 de março de 2010

Saudades do Outono


Assistir a desilusão
dos ramos que já não sabem
tecer a própria sombra.
Estancar o olhar,
vendo-o perder-se como um rio,
sem brilho.
Compadecer-se da tristeza das árvores
e pensar nas folhas caídas
como metáforas dolorosas.


Luciano Martini

sábado, 6 de março de 2010

Diário de Bordo



Trago nas unhas terra vermelha
de encostas cruas.
Quiçá, pontos de interrogação,
clarividência escassa frente à multidão
de sentidos.

Trago, ainda, numa mochila:
cheiros, sabores, solas gastas;
algumas ilusões fracassadas,
entre silêncio e corais.
Deixo na cabeceira ,
as certezas todas amassadas,
e um bilhete em letras garrafais:

Seguirei os ponteiros da aurora,
vou a favor do vento, no tempo
de descobrir e render-se,

simplesmente vou ar...


Luciano Martini

quarta-feira, 3 de março de 2010

Coca-Cola Zero Árabe


Campo dos Pastores


O Campo dos Pastores está situado em Bet Sahur (Casa dos vigias) a 3 km do centro de Belém. É um bairro com cerca de 6.000 habitantes árabes, a maioria cristãos, que vivem do artesanato e do pastoreio de ovelhas.
Este foi o local onde os anjos anunciaram o nascimento do Messias aos pastores.