terça-feira, 2 de novembro de 2010

Aniversário


Implacável o tempo sobre todos
os nomes. Fazer dele uma arte
é entarde_ser.



Luciano Martini

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Promessa


Espero a tua volta

E, embora às vezes me entristeça
Enquanto aguarde.
É tão bela a tua promessa
Que chego a desejar
Que venhas tarde...
Luciano Martini

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Sonhando Acordado


Meus pensamentos voam em silêncio

Sempre quero ir
onde não estou

Alguém me chama pra realidade
e eu respondo que já vou

voou...



Luciano Martini

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Eu tenho um plano


Eu tenho um plano...
Vou mandar fazer um terno azul e comprar sapatos dourados para festejar a alegria de viver, dançando desajeitadamente até que a minha pele transpire luz e a minha boca profira perfumes.
Vou tatuar em meus olhos a figura de um menino com sua pipa, para que jamais falte a inocência em meu olhar.
Vou cruzar esquinas e praças a procura dos seresteiros que cantam ao luar e, no contorno dos dias amarram fitas brancas nas sinaleiras.
Vou criar um sinal secreto para que todos os poetas da vida me reconheçam, e ao cruzarem por mim nas avenidas da cidade, possam acenar com lenços rasgados.
Vou comprar um relógio que não marque as horas, mas distinga os momentos cruciais do dia, para que eu possa valorizá-los devidamente.
Vou me fingir de morto, mas estarei pronto a renascer, para que no momento certo eu possa recitar os versos que transformam pedra em sorrisos.
Vou me fazer de estúpido, mas a noite arquitetarei projetos para mudar o mundo.
Eu tenho um plano...



Luciano Martini

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Passeio na Redenção


Quero passear no Parque da Redenção e fazer passarinhar todos os bons propósitos que desafiam a minha fé. Enterrarei num jardim de hortênsias essa frustação alheia que definha o meu ego arrastado pela vaidade.
Trocarei minhas horas preciosas por horas ociosas e, recostado num banco de praça, darei milho aos pombos e cantarei com os mendigos que, deitados na grama, escarnecem da agonia do tempo.
Banharei a minha retina naquele lago pontilhado de moedas faiscantes de prata e, peito aberto sob o chafariz, secarei a fonte ininterrupta da minha insensatez. Serei belo como aquele tronco nodoso de uma velha castanheira que, retorcida de braços, abraça o Sol para em seus pés irradiar sombras.
Trilharei uma tarde irresponsavelmente feliz, liberto dessa potência que recobre de fúria a minha excessiva fragilidade. Acreditarei na vertigem do disfarce que a brisa quente empresta ao meu rosto e, numa antiga roda gigante, renascerei com a inocência das crianças que sorriem poemas azuis.
Definitivamente será minha redenção...


Luciano Martini

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A fé dos sonhadores

Sirvo a fé dos sonhadores!
dos indivíduos mais estranhos
e não se engane; batalhadores
que em celeuma própria
e em consciencia sóbria
lembram da sua esperança
e pensam: -Todo o resto? sobra

Sigo uma fé doida e desvairada
uma fé doída e doada
ao mesmo tempo(e em grande escala)
não se sabe quando a alegria começa
e quando a saudade se espalha

Sigo uma fé, um rosto e um rumo
vislumbro uma cruz, que era pra mim!
rio de todos, e todos riem de mim!
e minha fé ri mais alto ainda!

Estou a mando da fé....

E se você quiser conhecer
este Reino de peculiar beleza,
derrame sua vida em cima da mesa!
tropece, dance, cante, coma sobremesa
antes do almoço, sonhe antes de dormir,
grite gol antes de começar o jogo,
pois é: siga sua fé

E continue a mando.


Luciano Martini

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Minha Aurora Pálida


Meu espelho mente
pois o teu olhar é que me define

Mas mesmo assim
passo diante dele muitas vezes
e sorrimos um para o outro
cúmplices de nossos enxovalhos cotidianos

Ando meio desvanecido
indeciso
em minhas passagens secretas
falta-me um gesto
perdi o jeito de amanhecer


Luciano Martini

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Janela Quebrada


Valeu a pena
a desordem do luar
sob o manto da noite
neste incandescente azul,
tudo neste momento
a tocar-me os olhos
lágrimas de estrelas
levadas pela tua mão




Luciano Martini

sábado, 7 de agosto de 2010

Noites Antigas


Pelas gárgulas das catedrais
escoam-se noites antigas
que homens pacientemente sábios
recolhem letra a letra.
Eu quis apagar a chama
e acabei apagando a vida
Fiquei através dos instantes que passaram sem mim

Haverá quem diga, perdeu-se
Alguém sairá a minha procura
e não encontrará o caminho.

A espera junto do fogo
estarei eu, cego pelo frio,
farei paradas breves,
sacudirei o guarda-chuva e começarei de novo...



Luciano Martini

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Vida e estações

Céu borrado de nostalgia.
No horizonte, uma clareira de azul celeste aconchega num abraço de lã, toda a restante abóbada transbordante de cinza. As árvores enamoradas deste fio de vento que chilreia nas folhas, dançantes, suplicam ternura , deixando-se despir, tiritantes de frio. Tráfego de vento, sob fios de sol transluzente no amarelo-sangue do folhedo, os ramos enegrecidos emergem, tais braços expostos em sua nudez. No chão uma laranja barriguda, jaz abandonada no seu amarelo-crepúsculo, a testemunhar a outonal fecundidade, rogando não ser esquecida. Há estacas abandonadas, despidas de cuidados, e os resquícios acobreados da folhagem, dizem-nos que a terra madorrenta vai repousar do parto das colheitas suavizando-nos a alma de nossa melancolia. A vida.
Encenada em cânticos de vento no folhedo—sucessão de mistérios e o homem no seu abandono testemunhando o refulgir das estações.
Da terra fecundada , sabemos que reclama uma pausa.
Das floreiras nem sempre rosas. Da vida nem sempre vida. Esta letargia, nostálgica doçura, em sinfonia de galhos e ventos, culminou ali, num amontoado de folhas esvaídas, para nela inquirirmos da nossa significância no outono da vida. As folhas não caem em vão!
Evocam a brevidade de nossos dias.
O outono das pinceladas de azul-água, castelos cinzentos no céu e o cantarolar das árvores nuas, imploram-nos um olhar demorado sobre este breve viver. Por que caem as folhas?
Pela esperança de serem colhidas...

Luciano Martini

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Um dia de frio


Entre densas avenidas
corredores e segredos
nos instigam:
silentes
ágeis sombras
flutuam em neblinas
tão sós, tão luas, tão nós...



Luciano Martini

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Aquelas praias


Ah ! As praias...

Não me esqueço
Daquelas lindas praias
Por onde nunca andei

O cheiro do mar
A sedução das ondas
O toque da areia
Como poderia me esquecer ?

Das praias
que eu nunca conheci...



Luciano Martini

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Chove em Poa


Há um tapete
de poças espelhadas
nas trilhas esquecidas
de algumas árvores chorosas
Que desenham a tua geografia
nesta tarde chuvosa
e aconchegante!


Luciano Martini