quinta-feira, 28 de abril de 2011

Minha Sina


Minha mira é enganosa
e às vezes
atiro em mim mesmo

Saio machucado e abatido
e novamente me transformo
: recomeçar é a minha sina

no mais
sou verso que voa
a procura de um poema
que rime com a minha vida


Luciano Martini

sábado, 16 de abril de 2011

Caminho do Vento


Vi flores nascerem em pedras
quando descia pela rua,
na sombra das esquinas,
ante o ruído das calçadas

Outra vez me vejo atento…
sinto cheiro de terra molhada,
ouço a melodia da chuva
ao derramar-se pelo
parapeito e pela janela.
Medito… no caminho do vento,
fronteira insegura dos sentidos,
que frágil, carrega lembranças,
revela ao meu olhar o horizonte…


Luciano Martini

Canção da Vida


Impossível
descrever o encanto
de infinitos versos…
tal poema nascido
do sussurro dos rios,…
a escorrer sobre pedras,
inundando os veios das florestas,
preenchendo o abismo,
legitimando a vida.

Descrever este instante,
a harmonia existente
entre a graça e o sorriso

deveria ser música.


Luciano Martini

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Tempo de Chuva


não me recolhi
nem cumpri a tempestade
na parte que me cabe

não estendi minhas asas
nem fechei minhas páginas

sigo caminhando
por entre abelhas e cigarras

e num gesto suave
inclino minha alma para os
canteiros que colhem

as melhores chuvas


Luciano Martini

terça-feira, 12 de abril de 2011

As estrelas inalcansáveis


As estrelas nunca serão alcançadas,
mas, como as noites seriam tristes sem elas

Os astronautas não conseguiram chegar nas estrelas
mas os poetas,
vão lá todas as noites...

Há uma lenda muito antiga que diz:
Quem conseguir seguir uma estrela
e viajar na luz de seu brilho,
no final do caminho,
encontrará um Menino
.


Luciano Martini

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Um moço promissor


Havia de encontrar
aquele velho livro
e nele, juras e promessas,
escritas com minha letra:
outonos e invernos
esquecidos
entre páginas amareladas
e a dor,
de não ser mais

aquele.





Luciano Martini

terça-feira, 29 de março de 2011

Pássaros


Dentro de mim
já morreram muitos
pássaros

Porém,
os que sobreviveram,
estão livres...


Luciano Martini

sexta-feira, 25 de março de 2011

Esta noite


Tempestade

noite escura e fechada

Nos meus olhos há estrelas



Luciano Martini

Dores de Parto


Os poemas que me habitam

me ardem e atormentam

pela minha incapacidade

de pronunciá-los


Sou! e isso é bem mais

do que cabe em linhas



Luciano Martini

segunda-feira, 21 de março de 2011

Tudo que o outono ensina

Céu borrado de nostalgia.
No horizonte, uma clareira de azul-celeste aconchega num abraço de lã, toda a restante abóbada transbordante de cinza. As árvores enamoradas deste fio de vento que chilreia nas folhas, dançantes, suplicam ternura , deixando-se despir, tiritantes de frio.Tráfego de vento, sob fios de sol transluzente no amarelo-sangue do folhedo, os ramos enegrecidos emergem, tais braços expostos em sua nudez. No chão uma laranja barriguda, jaz abandonada no seu amarelo-crepúsculo, a testemunhar a outonal fecundidade, rogando não ser esquecida. Há estacas abandonadas, despidas de cuidados, e os resquícios acobreados da folhagem, dizem-nos que a terra madorrenta vai repousar do parto das colheitas suavizando-nos a alma de nossa melancolia.
A vida.
Encenada em cânticos de vento no folhedo—sucessão de mistérios e o homem no seu abandono testemunhando o refulgir das estações.
Da terra fecundada , sabemos que reclama uma pausa.
Das floreiras nem sempre rosas. Da vida nem sempre vida.

Esta letargia, nostálgica doçura, em sinfonia de galhos e ventos, culminou ali, num amontoado de folhas esvaídas, para nela inquirirmos da nossa significância no outono da vida.
As folhas não caem em vão! Evocam a brevidade de nossos dias.

O outono das pinceladas de azul-água, castelos cinzentos no céu e o cantarolar das árvores nuas, imploram-nos um olhar demorado sobre este breve viver. Por que caem as folhas?

Pela esperança de serem colhidas...


Luciano Martini

sexta-feira, 18 de março de 2011

Falta de Inspiração

Há silêncios congelantes
Em tudo: eis a alma
A temer o papel
Em branco, mundos, lápis, mudos...



Luciano Martini

sexta-feira, 11 de março de 2011

Medo de altura


Alturas da vida que trazem vertigem
de rever o mil vezes visto
de tentar o mil vezes tentado

Alturas em que o desalento espreita,
em suave espera.


É preciso uma certa dose de esforço para ser.







Luciano Martini

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A Esperança é a última que vive.


De esperas construímos uma vida
enchendo as mãos de sol e a boca de silêncios.
Em estranhos descaminhos nos encontramos.
Mirando o rio, mas sempre, com a impressão
de que ficamos à margem.
Como um longo abraço de despedida,
a nos lembrar,
que estamos sozinhos...


Ter esperança é sonhar com reencontros.



Luciano Martini

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Como disse o poeta: Navegar é preciso


Tanta coisa é uma questão de ângulo, de perspectiva, de posição.
O mundo acaba ficando tão parecido conosco.

A experiência é o navegar.
A travessia.
A metáfora da viagem.

Processo de aprendizagem que se constitui nos trajetos da própria viagem.
Por isso, a navegação é plural, inacabada, provisória, multilinear, sem hierarquia, aberta às demandas do navegante.
E aos acasos das marés.

Com sorte, passa-se pela rebentação....
Afortunadamente, pela série de ondas com sons borbulhantes.
A experiência é o navegar...
e os navegantes, "às vezes",
até conseguem fazer as marés acontecerem....




Luciano Martini