sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Estações




A vida como um jardim enfrenta estações.
O verão nos desafia, nos encanta aquece a alma e alegra o coração. O inverno nos convida ao recolhimento, a meditação, recomenda o estar próximo, firma laços e nos faz mais fortes.
O outono é um lembrete de nossa humanidade, que somos finitos, seres crepusculares, tristes e belos como um poema, e que é preciso estar sempre em renovação como as folhas das árvores.
A primavera é tempo de cores e aromas, novas sensações que celebram a vida. Como seiva, nossas emoções pulsam na alma. Queremos viver, desabrochar na história, construir jardins, experimentar a doçura dos frutos como se fosse mel, nos lambuzarmos de lembranças e brindarmos o privilégio de estar vivo com um sorriso e uma oração.
A fé é uma certeza : - O melhor está por vir...










Luciano Martini

Sinais



Quando se honra os pais na verdade se está honrando quem está por detrás dos pais : Deus
Deus, mesmo sendo invisível aos olhos humanos, escolheu diversos elementos visíveis para se revelar, para estar presente. Os pais são um sinal de que Deus existe.
Cada abraço, cada conselho, cada carinho, cada ato de proteção, cada sorriso, cada gesto de afeto dos pais para com seus filhos é uma dádiva de Deus.
Pois Deus se esconde no olhar compassivo da mãe e na mão estendida do pai que orienta e sustenta.
Quem tem ou teve uma mãe amorosa e um pai presente teve a oportunidade de conhecer um pouquinho de Deus... talvez a melhor parte de Deus...









Luciano Martini

Fraternidade




Quem tem um irmão nunca está sozinho.

É como se uma parte de nós morasse em outro corpo.
Mesma família, mesma história, mesmas experiências, mesma casa, mas
dois corpos... que se dividem para que a possibilidade do abraço possa existir.
É como ter um espelho vivo, onde possamos nos reconhecer mesmo nas
diferenças.

Vai além dos laços de sangue é comunhão de almas, cumplicidade da
vida, parceiros de existência.








Luciano Martini

sábado, 15 de outubro de 2011

Nevoeiro






Por entre pinhais, perdido, mergulhei no nevoeiro embraquecido. Sedento de vida, ouvi o sussurro: era talvez a voz da chuva chorando, um sorriso nublado ou um coração partido. Algo que de tão longe me parecia oculto gravemente, coberto pela névoa, um murmúrio ensurdecido por imensos outonos, pela entreaberta e úmida treva das folhas. Porém ali, vagando por trilhas do bosque, o orvalho caiu sobre meus olhos e secou meu coração. E seu sabor errante subiu como lua que adentra nas nuvens, como se, repentinamente, estivessem me procurando nas ruas por onde andei, na terra perdida da minha infância.



Generosamente a noite se compadeceu de mim e me protegeu com seu cobertor de sonhos.









Luciano Martini

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Grandeza


Tudo bem !!!

Eu sei que ele era somente um riacho.

Ah! Mas que ele tinha um jeitão de mar, isso tinha...




Luciano Martini

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Faxina



Fui fazer uma arrumação no meu guarda-roupa e acabei por encontrar tantas coisas que tinha, a tanto tempo, perdido. Coisas impossíveis...


Achei conchas, cataventos, bancos de praça, barcos, telhados preguiçosos, ruas de chão batido, dois ou três olhares, um trem a passar numa estaçãozinha perdida, um poema no bolso de trás do meu jeans, um cheiro de tarde ensolarada, uma meia laranja, retratos de ursos, um pouco de chuva na janela, uma canção antiga, o cheiro de uma cachoeira (que eu mergulhei quando tinha 16 anos), uma bola velha e um passarinho.











Luciano Martini

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Gestar Sonhos



Na madrugada sussurro de anjos

pensamentos soltos no momento

à meia luz de eternidades

engravidam-se os sonhos





Luciano Martini

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A sombra das coisas


A vida simplesmente pensada
e não vivida,
Despe-se de seu dom
de sua própria essência!
Aprisionado à sombra das coisas, viajamos desajeitadamente,
divididos, dispersos.
Onde estamos, não somos.

Eu nunca sou totalmente.
E é um ficar, sem deter-me,
e um partir, sem levar-me
É difícil ser !


Luciano Martini


Luciano Martini

A fé dos homens


A fé é coisa insurgente
reina em aparições
faz florir em relâmpagos
e compõe árias de ressurreição



Luciano Martini

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Inverno Úmido


A garoa da tarde umedece os meus passos
sobre a luz plúmbea da rua distraída
Meu olhar pende para o infinito
enquanto a desconhecida de rosto triste
recolhe sonhos e roupas de um varal


Luciano Martini

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Estou lendo

O MAIS TRISTE COM RELAÇÃO à vida é não se lembrar de metade dela. Não se lembrar nem de metade da metade dela. Não se lembrar nem mesmo de uma ínfima porcentagem, se quiser saber a verdade. Tenho um amigo chamado Bob que escreve tudo o que lembra. Se lembrar que deixou cair um sorvete de casquinha no colo quando tinha sete anos, ele vai escrever isso. A última vez que conversei com Bob, ele tinha escrito mais de quinhentas páginas de memórias. Ele é o único cara que conheço que se lembra de sua vida. Ele disse que capta lembranças porque, se esquecê-las, é como se não tivessem acontecido, como se ele não tivesse vivido as partes que não lembra.

Pensei nisso quando ele comentou e tentei me lembrar de algo. Lembrei-me de ter ganhado uma insígnia de mérito como escoteiro quando tinha sete anos, mas só consegui me lembrar disso. Eu a ganhei por ajudar um vizinho a cortar uma árvore.

Vou dizer isso para Deus quando ele perguntar o que fiz com minha vida. Vou dizer que cortei uma árvore e ganhei uma insígnia por isso. É muito provável que ele queira ver a insígnia, mas eu a perdi anos atrás e, por isso, quando eu tiver terminado minha história, Deus provavelmente estará sentado ali, olhando para minha cara de quem imagina o que vai falar em seguida. Deus e Bob provavelmente vão conversar durante dias.

Um Milhão de Quilômetros em Mil anos, Donald Miller