Postado por
Luciano Martini
on
sábado, 31 de outubro de 2009
Entre vitoriosos e vencidos, cascatas de pedras e atulhar de esperanças corrediças, o grito silencioso ante a enxurrada de dias, sobrevivo.
A cada manhã a insistência em renascer e, em algum lugar deve haver alguém que me ajude a compreender, pois estou farto de perder sem querer. Se bebi tanto, por que ainda tenho tanta sede? E o tempo corre contra mim, corre de mim e escapa entre meus dedos, levando até meus anéis.
Onde estão as caixas onde guardei...
Aquele olhar
Aquele sorriso
Aquela sombra de árvore
Aquela foto de menino
Aquele caminho
Eu tinha um mapa, mas não tinha tantas esquinas.
Onde você vai quando se sente só? Quando as estrelas não piscam mais.
Por vezes me julgo idiota por não conjugar a letra com a sinfonia, mas a vida tem arranjos que desconheço. Meu discurso poético se descostura da realidade, e as flores da estação perdem suas cores em pétalas dispersas em ventos fatigantes, soprando nossa subjetividade em direção aos montes. O prenúncio de que sonhos revelam a fragilidade do que quer ser real.
Contudo, ainda não sucumbi.
De minhas ranhuras brotam doce serenata dos sonhadores. Não sou dado a mesmice, ás vezes falta-me sangue para viver. Todas as minhas fichas estão postas no tabuleiro dos incoformados. Jogo ao lado dos perdedores. Profetas de subúrbios. Pássaros que voam sem encantar-se com a vertigem das alturas, despertando...
Aquele olhar
Aquele sorriso
Aquela sombra de árvore
Aquele tolo menino
Aquele caminhar
Luciano Martini