Brevidade

on segunda-feira, 23 de novembro de 2009


Se minha vida tem que ser breve,
então que seja intensa
Intensa como uma estrela cadente
iluminando o caminho,
atraindo olhares para o céu,
depertando inspiração e desejos
de uma vida melhor.



Luciano Martini

Dá-me um sinal

on quarta-feira, 18 de novembro de 2009


Dá-me um sinal
preciso saber se ainda existo
preciso ver além de meus olhos
perceber um novo detalhe, nunca visto
atirar-me para além do corpo,
quero ir além do alcance das minhas mãos
e mesmo assim, não fugir de mim

Dá-me um sinal
se ainda existe lembrança
nas flores agora murchas da beira da estrada
se ainda há aroma,
ou não restou nada

Ah! Se...

Se não fosse efêmero
o encontro do sorriso
seria porto
Se não fosse sublime
a beleza dum verso
seria carícia

Dá-me sinal
para saber
se meu silêncio foi ouvido
se aquele vento encontrou abrigo
se me detenho ainda,
ou sigo




Luciano Martini

Mais uma do Rubem

on domingo, 15 de novembro de 2009


Aprecio a tua presença só com os olhos.

Vale mais a pena ver uma coisa sempre pela primeira

vez que conhecê-la,


Porque conhecer é como nunca ter visto pela primeira

vez,

E nunca ter visto pela primeira vez é só ter ouvido

contar.




Rubem Alves

Nunca é tarde

on domingo, 8 de novembro de 2009


Ah, as tardes silenciosas,
coroadas de sorrisos
que se perdem
na memória...



Luciano Martini

A Coleção

on segunda-feira, 2 de novembro de 2009


Guardo em mim secreta coleção de fotos: o tempo parado para sairmos deste deserto que escolhemos viver, a carícia entesourada em gestos ternos e abraços de sofá, a fraternidade vagabunda sentada em calçadas da madrugada, o canto preparado em uma orquesta de anjos sem asas e sem noção, a minha tolice e a dúvida que arrasta meus olhos para o lado oposto da minha intenção, aquele poema onde desnudei os segredos da minha humanidade e a saudade que brota como uma flor de brejo, irresponsavelmente bela e perfumada.


Luciano Martini

Vou indo...

on sábado, 31 de outubro de 2009

Entre vitoriosos e vencidos, cascatas de pedras e atulhar de esperanças corrediças, o grito silencioso ante a enxurrada de dias, sobrevivo.
A cada manhã a insistência em renascer e, em algum lugar deve haver alguém que me ajude a compreender, pois estou farto de perder sem querer. Se bebi tanto, por que ainda tenho tanta sede? E o tempo corre contra mim, corre de mim e escapa entre meus dedos, levando até meus anéis.
Onde estão as caixas onde guardei...
Aquele olhar
Aquele sorriso
Aquela sombra de árvore
Aquela foto de menino
Aquele caminho
Eu tinha um mapa, mas não tinha tantas esquinas.
Onde você vai quando se sente só? Quando as estrelas não piscam mais.
Por vezes me julgo idiota por não conjugar a letra com a sinfonia, mas a vida tem arranjos que desconheço. Meu discurso poético se descostura da realidade, e as flores da estação perdem suas cores em pétalas dispersas em ventos fatigantes, soprando nossa subjetividade em direção aos montes. O prenúncio de que sonhos revelam a fragilidade do que quer ser real.
Contudo, ainda não sucumbi.
De minhas ranhuras brotam doce serenata dos sonhadores. Não sou dado a mesmice, ás vezes falta-me sangue para viver. Todas as minhas fichas estão postas no tabuleiro dos incoformados. Jogo ao lado dos perdedores. Profetas de subúrbios. Pássaros que voam sem encantar-se com a vertigem das alturas, despertando...
Aquele olhar
Aquele sorriso
Aquela sombra de árvore
Aquele tolo menino
Aquele caminhar
Luciano Martini

Parece tão distante

on quarta-feira, 21 de outubro de 2009


O distante traduzo
em versos viajantes
livres sonhadores em
sussurros do vento
que o sentimento
esvazia.
Os meus longes
de água molham
minha face e buscam:
reflexo.


Luciano Martini

Vou

on segunda-feira, 19 de outubro de 2009



Vou

semeando

sozinho

silêncios,

de mãos dadas

com poucos.


Luciano Martini

As cartas


As cartas que escrevi
se recusam a partir
E por isso,
seguem sem resposta



Luciano Martini

Simplicidade

on terça-feira, 13 de outubro de 2009


No crepúsculo, quando a noite se aproxima, o vôo dos pássaros fica diferente. Em nada se parece com o seu vôo pela manhã. Já observaram o vôo das pombas ao fim do dia?
Elas voam numa única direção. Voltam para casa, ninho. As aves, ao crepúsculo, são simples.
Simplicidade é isso: quando o coração busca uma coisa só.





Rubem Alves

Caminhando na chuva

on quinta-feira, 8 de outubro de 2009


Meus passeios descobrem um mundo novo de possibilidades e sensações.
Sublime! É a noite que bebe o outono com chuviscos.
Andando em direção à luz de cidades inundadas e distantes, o caminho da chuva que o meu olhar traduz em trilhas de saudade, me convida e acaricia.
Vivo mil vidas em minha imaginação : - Enredos, cenários escondidos e figuras fantasmagóricas que me acompanham.
Banhos longos não lavam a alma, mas me lembram que eu ainda estou vivo...
Então, espero, não desespero.
Sigo suave e displicente, como o silêncio que há entre duas rosas que se olham.



Luciano Martini

Com o Sol nos olhos

on terça-feira, 6 de outubro de 2009


Com o Sol nos olhos,
pode-se pisar alegremente a linha do abismo,
não atribuindo receios ao mar de areias movediças que se espreita ao longe.
Pode escurecer, mas não dentro, quando se tem o Sol nos olhos.
Os raios dourados entram, deslizam, dançam, com a doçura do calor.
As sombras estendem-se e ficam suaves, o risco das trevas ainda nem se anuncia.
Com o Sol nos olhos,
é despertada a melodia de um sorrir interior, sem esforço.
Estende-se a mão na distância,

envia-se uma flor em pensamento...



Luciano Martini

O Reino de Deus

on sábado, 3 de outubro de 2009


A confusão começa quando achamos que as crianças tem o Reino por serem inocentes!
Ora, o Reino de Deus pertence as criancinhas, não por causa da sua inocência, mas sim, por causa da sua incompetência.




Luciano Martini

Quero saber

on quinta-feira, 1 de outubro de 2009


Quero saber se você vem comigo
a não andar e não falar,
quero saber se ao fim alcançaremos
a incomunicação; por fim
ir com alguém a ver o ar puro,
a luz listrada do mar de cada dia
ou um objeto terrestre
e não ter nada que trocar
por fim, não introduzir mercadorias
como o faziam os colonizadores
trocando baralhinhos por silêncio.
Pago eu aqui por teu silêncio.
De acordo, eu te dou o meu
com uma condição:
não nos compreender

Pablo Neruda

Labirinto

on segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Desperto de um pensamento longínquo com o cheiro de óleo queimado. É aqui por entre esta estrada tortuosa e o sicômoro da calçada que a vida passa - um filme cuja película já gasta ainda me assombra. O sol e a lua alternam-se iluminando a janela; inspiração e poesia são apenas sinais de fumaça e há muito, sou parte da paisagem emoldurada – quem me dera um eclipse, para desafiar certezas e transpor as coisas do seu lugar. Mas embrenhei-me pelo caminho. Um labirinto de trama bem urdida protege a saída e meu fio de novelo desgastou-se, virou poeira que baila entre raios de luz. Como falar do que desconheço? Não consigo entender! - Sequer, a mim. Aliás, neste tabuleiro de xadrez perdi o jogo e a ilusão, restam-me apenas os peões e uma torre. Fatiguei-me ao tentar salvar o que não tinha salvação. Aquela paisagem na janela é estática. O sol e a lua não! Vivem sua beleza, seus papéis, seus mistérios... Quanto a mim, esta fase de transformação é incômoda, é libertadora, é profunda, mas quase sempre triste e solitária.
E os minotauros espreitam, porém seus semblantes não assustam mais.
Luciano Martini