segunda-feira, 21 de março de 2011

Tudo que o outono ensina

Céu borrado de nostalgia.
No horizonte, uma clareira de azul-celeste aconchega num abraço de lã, toda a restante abóbada transbordante de cinza. As árvores enamoradas deste fio de vento que chilreia nas folhas, dançantes, suplicam ternura , deixando-se despir, tiritantes de frio.Tráfego de vento, sob fios de sol transluzente no amarelo-sangue do folhedo, os ramos enegrecidos emergem, tais braços expostos em sua nudez. No chão uma laranja barriguda, jaz abandonada no seu amarelo-crepúsculo, a testemunhar a outonal fecundidade, rogando não ser esquecida. Há estacas abandonadas, despidas de cuidados, e os resquícios acobreados da folhagem, dizem-nos que a terra madorrenta vai repousar do parto das colheitas suavizando-nos a alma de nossa melancolia.
A vida.
Encenada em cânticos de vento no folhedo—sucessão de mistérios e o homem no seu abandono testemunhando o refulgir das estações.
Da terra fecundada , sabemos que reclama uma pausa.
Das floreiras nem sempre rosas. Da vida nem sempre vida.

Esta letargia, nostálgica doçura, em sinfonia de galhos e ventos, culminou ali, num amontoado de folhas esvaídas, para nela inquirirmos da nossa significância no outono da vida.
As folhas não caem em vão! Evocam a brevidade de nossos dias.

O outono das pinceladas de azul-água, castelos cinzentos no céu e o cantarolar das árvores nuas, imploram-nos um olhar demorado sobre este breve viver. Por que caem as folhas?

Pela esperança de serem colhidas...


Luciano Martini

3 comentários:

Márcia disse...

Existe algo mais lindo do que o por-do-sol do Outono? Os tons castanhos e dourados das folhas suspensas das árvores...perfeição!

Carolina disse...

Ameei, amo o outono, tudo é lindo nessa época.

RosaMaria disse...

Estação mais perfeita do ano.

No outono, me refaço, me corto, renasço.

Em suas cores me perco.

Beijos meus